A imigração italiana no Nordeste e na Paraíba

É sabido que imigração italiana foi mais intensa no Sul e Sudeste do Brasil. O curioso é que a imigração de italianos no Nordeste também marcou a história da região. Há relatos históricos de italianos em Olinda entre os fins do século XVI e início do século XVII.

Na Paraíba, a vinda dos italianos foi maior no século XIX e de grande importância econômica para o Estado. A maioria desembarcavam em Santos-SP e depois de um tempo subia rumo ao Norte do país em busca de oportunidades além do plantio do café.

Os núcleos de italianos na Paraíba deram impulso às atividades artesanais, comerciais e à política nos centros urbanos como João Pessoa e Campina Grande e também no interior, nas cidades de Areia, Mamanguape e Pilar.

O relacionamento entre mascates italianos e senhores de engenho foram abordados até pelo romancista paraibano José Lins do Rego. João Pessoa Cavalcanti, que dá nome a capital do estado e seu tio Epitácio Pessoa (único presidente paraibano do Brasil) estão entre os descendentes de italianos que marcaram a história política da Paraíba.

desembarque de imigrantes italianos
Italianos desembarcam no Porto de Santos, em São Paulo (1907.) Foto: Acervo Museu do Imigrante

No início dos anos 90 foi realizado mapeamento da migração italiana para o Nordeste com entrevistas de duas gerações de descendentes nascidos na região. O estudo resultou no livro A Itália no Nordeste – contribuição italiana ao Nordeste do Brasil, de autoria de Manuel Correia de Andrade, publicado em 1992 pela Editora Massangana (Fundaj) e traduzido em italiano pela Fondazione Giovani Agnelli, patrocinadora da pesquisa.

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Respeito à memória italiana no Museu do Pão

No Rio Grande do Sul, o Caminho dos Moinhos apresenta moinhos coloniais recuperados integrados como parte de um circuito turístico e cultural.

Em Ilópolis, cidadezinha fruto da imigração italiana na serra gaúcha, o Moinho Colognese tem um anexo contemporâneo que abriga o Museu do Pão e uma Oficina para aulas de panificação.

O projeto foi destaque na capa da revista ArcoWeb, aU e da Projeto e Design. Os arquitetos Marcelo Ferraz e Francisco Fanucci — que converteram o antigo moinho de farinha em Museu do Pão — conquistaram vários prêmios com o projeto.

Na oficina são ministrados cursos de panificação e confeitaria para crianças, jovens universitários e moradores da região
Museu do pão foi criado em 2008 e faz parte do Moinho Colognese